Tempo
A verdade é que implico muito contigo, não é Tempo? Apesar de tudo, tenta não me levar a mal, porque afinal também marcas a minha pele. Aliás, nem tenho escolha, por isso...fiquemos por aqui. Gosto muito de refletir sobre a existência humana e no simples facto de que todos nós nascemos e morremos nos teus braços.
És o centro de todos os meus pensamentos, dúvidas, perguntas, anseios, desejos, medos...enfim, é engraçado como todos os caminhos vão dar a ti. Por que me queres ver partir um dia? Não sentes mesmo falta de ninguém? Como podes ser assim, Tempo? Mas, a culpa também é nossa, que agarramos e largamos os outros com uma facilidade tremenda. Tudo passa ao lado e quando nos damos conta, já se passaram anos: onde estão os outros? Por onde tenho andado?
A vida tanto nos faz recuar, como avançar e o Tempo bem pode curar, bem pode adormecer num solo leve os infortúnios passados, mas depois leva de mim aqueles que mais amo. Quem me dera viver, sem ter de contar o tempo, sem ter de deslizar pelos seus braços. Tem vezes, que me passa pela cabeça, a ideia de que seria bom sermos todos eternos e viver para sempre junto aos nossos!
Não fazes ideia a saudade que sentirei daqueles que me são mais próximos...e não escreverei mais nada, porque custa. Que farei eu, depois? Sinto que quanto mais penso nisto, mais me afasto e menos vivo. Por isso, sempre que passar por uma má situação, não vou desejar que o dia de amanhã chegue rápido...porque, até lá envelhecerei, não darei valor ao meu “hoje” e nem ouvirei quem me cerca.
Além disso, se o Tempo nem nos desse ou tirasse...que seria feito da palavra “saudade”? Nunca chegaríamos a senti-la!
Beatriz Afonso
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